Episcopado polaco confirma a Comunhão na boca



«Recorda-se que todo o fiel tem sempre o direito de receber a Sagrada Comunhão na boca, a seu próprio critério (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Redemptionis Sacramentum, Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia, 25 de Março de 2004, n. 92). Portanto, ninguém pode receber uma ordem para receber a Sagrada Comunhão na mão; tal só pode ser recomendado (de acordo com a disposição do Conselho Permanente da Conferência dos Bispos da Polónia de 12 de Março de 2020). É preciso organizar a distribuição da Sagrada Comunhão de modo a não violar a sensibilidade daqueles que têm dificuldade em receber a Sagrada Comunhão na mão. Se alguns dos fiéis recebem a Sagrada Comunhão na mão e outros na boca, é aconselhável que a ambos os grupos a Comunhão seja administrada por diferentes ministros ou que aqueles que recebem a Comunhão na boca a recebam depois dos que a recebem na mão. Os fiéis que recebem a Sagrada Comunhão na mão devem ser incentivados a desinfectar as mãos com antecedência, se possível».         

P. Paweł Rytel-Andrianik, porta-voz da Conferência Episcopal Polaca     

Nota ao jornal electrónico Observador



Face às declarações, que tanto nos surpreenderam, de Sua Eminência o Bispo de Leiria-Fátima e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. António dos Santos Marto, ao portal Ponto SJ (29/05/2020), entretanto reproduzidas pelo jornal electrónico Observador, em que, a certa altura, é afirmado que «todas as medidas que a Conferência Episcopal tomou e indicou, todas elas foram dialogadas com as autoridades do Estado e com a DGS», os subscritores do Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão declaram o seguinte:

1. Até ao momento, a Conferência Episcopal Portuguesa não se dignou responder à solicitação dirigida por mais de cinco centenas de fiéis católicos portugueses.

2. As declarações do Cardeal Marto e do porta-voz da CEP, P. António Barbosa, scj, não se baseiam em qualquer parecer clínico válido e, por conseguinte, merecedor de crédito, ao passo que, aquando do envio do Apelo, anexámos dois pareceres clínicos e um parecer teológico.

3. O Sr. D. António Marto, certamente por lapso, não teve em consideração que as Conferências Episcopais não poderão tomar por si mesmas decisões desta importância, e que abalam com a disciplina eclesiástica, sem que essas sejam apresentadas a Roma para apreciação e eventual ratificação. Aquilo a que assistimos foi uma decisão unicamente tomada pelos Bispos lusos sem que tenha havido qualquer parecer da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pelo que todas as decisões da referida Congregação em matéria de administração da Sagrada Comunhão, a par das normas patentes na Instrução Geral do Missal Romano, se mantêm válidas e, assim, é terminantemente ilegítima a decisão da Conferência Episcopal.

4. Face ao exposto, os fiéis católicos têm todo o direito de receber a Sagrada Comunhão na boca, terminando imediatamente a imposição que, desde o passado sábado, tem vindo a ser perpetrada na esmagadora maioria das igrejas em território nacional.

5. Convidamos, desde já, o jornal Observador a dar nota dos pareceres clínicos e teológico que fundamentam o Apelo e que se encontram disponíveis na página oficial da iniciativa.

6. Já foi enviada uma carta pessoal a Sua Eminência o Cardeal António Marto.

Os subscritores do Apelo aproveitam a ocasião para, uma vez mais, garantirem as suas orações pelo Episcopado Português nas dificuldades da hora presente.  

Católicos dirigem apelo aos Bispos sobre a Sagrada Comunhão


Mais de cinco centenas de católicos portugueses, entre os quais alguns sacerdotes, dirigiram, no passado dia 23 de Maio, um apelo aos Bispos Portugueses solicitando a imediata revogação da proibição de os fiéis poderem receber a Sagrada Comunhão na boca, prevista no 27.º ponto das Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa. 

No seguimento das Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19, publicadas no passado dia 2 de Maio, um grupo de mais de quinhentos católicos, entre leigos e sacerdotes, dirigiu um apelo à Conferência Episcopal Portuguesa solicitando a imediata revogação do número 27 das referidas Orientações, que determina que «continua a não se ministrar a comunhão na boca», algo que atenta gravemente contra as normas da Igreja Católica e, por conseguinte, contra a reverência devida ao Santíssimo Sacramento.       

Os subscritores do Apelo começam por afirmar que tal decisão do episcopado causou «profunda mágoa e não pouca perplexidade» e que esta decisão não é nova, já que no início da pandemia se assistiu «a sacerdotes recusarem a Sagrada Comunhão a fiéis que, de forma lícita, pretendiam receber a Comunhão na boca, tal como prevê e permite a Santa Igreja e a sua lei universal, além de resultar de salutar reverência suscitada pela fé na presença real de Nosso Senhor nas sagradas espécies e pelo primeiro mandamento da Lei de Deus».            

O documento, que também foi enviado ao Núncio Apostólico em Portugal e à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cujo Prefeito é o Cardeal Robert Sarah, frisa que «não é permitido, em circunstância alguma, negar-se a Sagrada Comunhão aos fiéis que a desejem receber na boca, nem mesmo em tempos de epidemia, à semelhança do que aconteceu com o H1N1, altura em que a referida Congregação para o Culto Divino o confirmou em resposta a múltiplas cartas que fiéis de todo o mundo lhe dirigiram». A directiva da Conferência Episcopal Portuguesa, caracterizada por uma aterradora falta de Fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, é também teologicamente e cientificamente infundada, tendo em conta os pareceres teológico e médicos que suportam o Apelo nacional.        

Até ao momento, não houve qualquer tipo de pronunciamento por parte da Conferência Episcopal Portuguesa, mas os subscritores do Apelo não deixarão de se bater para que o seu pedido seja atendido, admitindo a hipótese de um recurso para a Santa Sé. Até lá, continuam a aconselhar a que os fiéis católicos portugueses se recusem a comungar na mão, consciencializando as comunidades para o perigo que caracteriza tal prática, e a solicitar que seja comunicado à Congregação para o Culto Divino o nome dos bispos e dos sacerdotes que, a partir do dia 30 de Maio, eventualmente se venham a recusar a dar a Comunhão na boca aos fiéis que assim o desejarem, de modo a que sejam accionados os necessários procedimentos previstos pela Igreja, disciplinares ou de protecção dos direitos dos fiéis.                       

O Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão, bem como a lista de subscritores e toda a documentação, estão disponíveis em www.apeloaosbispos.online.