Nota ao jornal electrónico Observador



Face às declarações, que tanto nos surpreenderam, de Sua Eminência o Bispo de Leiria-Fátima e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. António dos Santos Marto, ao portal Ponto SJ (29/05/2020), entretanto reproduzidas pelo jornal electrónico Observador, em que, a certa altura, é afirmado que «todas as medidas que a Conferência Episcopal tomou e indicou, todas elas foram dialogadas com as autoridades do Estado e com a DGS», os subscritores do Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão declaram o seguinte:

1. Até ao momento, a Conferência Episcopal Portuguesa não se dignou responder à solicitação dirigida por mais de cinco centenas de fiéis católicos portugueses.

2. As declarações do Cardeal Marto e do porta-voz da CEP, P. António Barbosa, scj, não se baseiam em qualquer parecer clínico válido e, por conseguinte, merecedor de crédito, ao passo que, aquando do envio do Apelo, anexámos dois pareceres clínicos e um parecer teológico.

3. O Sr. D. António Marto, certamente por lapso, não teve em consideração que as Conferências Episcopais não poderão tomar por si mesmas decisões desta importância, e que abalam com a disciplina eclesiástica, sem que essas sejam apresentadas a Roma para apreciação e eventual ratificação. Aquilo a que assistimos foi uma decisão unicamente tomada pelos Bispos lusos sem que tenha havido qualquer parecer da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pelo que todas as decisões da referida Congregação em matéria de administração da Sagrada Comunhão, a par das normas patentes na Instrução Geral do Missal Romano, se mantêm válidas e, assim, é terminantemente ilegítima a decisão da Conferência Episcopal.

4. Face ao exposto, os fiéis católicos têm todo o direito de receber a Sagrada Comunhão na boca, terminando imediatamente a imposição que, desde o passado sábado, tem vindo a ser perpetrada na esmagadora maioria das igrejas em território nacional.

5. Convidamos, desde já, o jornal Observador a dar nota dos pareceres clínicos e teológico que fundamentam o Apelo e que se encontram disponíveis na página oficial da iniciativa.

6. Já foi enviada uma carta pessoal a Sua Eminência o Cardeal António Marto.

Os subscritores do Apelo aproveitam a ocasião para, uma vez mais, garantirem as suas orações pelo Episcopado Português nas dificuldades da hora presente.